ENTRE MUROS: Os espaços coletivos dos condomínios residenciais fechados

Por Christiane Nicolau Rosendo Ferreira (Arquiteta e urbanista, mestranda pelo Programa de Pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFPB), orientador(a): Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

 

As cidades à medida que crescem, tem se fechado entre novos muros, levando ao agravamento das questões relativas as ruas e ocupação do espaço urbano, a privatização de espaços públicos, a relação de vizinhança obrigatória, a alusão de uma maior segurança e status. Com isso, os espaços públicos da cidade contemporânea são marcados pela apropriação seletiva e diferenciada dos espaços que deveriam ser acessíveis a todos. O condomínio fechado altera a relação entre público e privado a partir da privatização de espaços públicos. Na zona sul da cidade de João Pessoa, somente no Bairro Portal do Sol, conta-se hoje com sete condomínios horizontais fechados, cada um com as suas grandes áreas de lazer. Como as cidades podem gerar uma diversidade de usos com uma extensão de muros separatistas para aquele que deve mais poder aquisitivo? O objetivo desta pesquisa é analisar as áreas de uso coletivo dos condomínios horizontais fechados: Cabo Branco Residence Privê, Porta do Sol e Bosque das Orquídeas, quanto à morfologia e organização socioespacial, observando as regras de planejamento, as formas, usos e comportamentos dos usuários. A metodologia desta pesquisa será estruturada utilizando como referência base: Lynch (1997), Cullen (1983), Kohlsdorf (2005), Gehl (2006) e Goffman (2010). Parte-se da hipótese de que apesar das semelhanças formais e funcionais visíveis nestes espaços coletivos, existem diferenças fundamentais nas práticas espaciais dos seus usuários. Conhecê-las para poder compreender as dinâmicas e desempenho destes espaços bem como a lógica social de produção da segregação e parte da cultura contemporânea.

 

Palavras chave: condomínios fechados, espaços coletivos, segregação, sociabilidade

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Sociabilidades e usos contemporâneos do patrimônio cultural

Por Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia (Coordenadora do LECCUR)

Nas duas últimas décadas do século XX, em várias cidades do mundo, foram desencadeados processos de “revitalização” (2) de áreas urbanas degradadas promovendo reutilizações do patrimônio cultural, bem como dos recursos ambientais e paisagísticos. Nestas experiências recorrem aos símbolos representativos dos primórdios da formação das cidades ou de um saber fazer, de práticas ligadas à tradição e à memória coletiva. Destacam-se antigos trechos portuários, fábricas desativadas e centros históricos, bem como atuações no sentido da terceirização dos usos. Em geral, são processos que procuram atrair novos usos dos espaços na tentativa de viabilizar o sistema econômico utilizando como recurso o dinamismo cultural e turístico destes sítios históricos.

São intervenções urbanísticas que pressupõem um processo no qual ações integradas se desenvolvam mediante um planejamento estratégico entre poder público, iniciativa privada e usuários. A idéia geral é que os resultados positivos realimentem o processo atraindo novos investidores, gerando outros projetos. Expressam, assim, um dilema central da cultura contemporânea entre preservar e consumir e, além disto, seus aspectos excludentes vêm encontrando resistência organizada da sociedade civil, em fóruns e associações não-governamentais como, por exemplo, em São Paulo, do Fórum Centro Vivo (2000) que reúne movimentos populares urbanos, pastorais, universidades e entidades de defesa dos diretos humanos, educação e cultura. São espaços geradores de intensas trocas sócio-culturais, de lugares públicos de contestação e/ou reivindicação de direitos sociais, mas também de segregação sócio-espacial.

Adotados em maior ou menor escala em diversas cidades, ganharam destaque após as experiências norte-americanas e européias bem sucedidas, a exemplo das pioneiras Baltimore, Londres, Barcelona, Lisboa e Cidade do Porto, entre outras. Na América Latina, destacam-se Puerto Madero e o bairro de La Boca, em Buenos Aires. No Brasil, esse processo tem caracterizado diversos projetos como a reurbanização da Praça 15 de Novembro (Rio de Janeiro), oProjeto Cores da Cidade (Curitiba, Rio de Janeiro e Recife) e as experiências no Pelourinho de Salvador, além de iniciativas diversas em cidades como Fortaleza, São Luís, João Pessoa, entre outras.

Leia mais… http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.051/560 (Artigo Completo)

O Parc de la Tête d’Or: patrimônio, referência espacial e lugar de sociabilidade

Por Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

Os bosques, pequenos córregos e caminhos sinuosos do Parc de la Tête d’Or (Foto: Jovanka Baracuhy C. Scocuglia).

Na busca pelo equilíbrio entre a preservação do meio ambiente e o processo de urbanização contemporâneo, os parques urbanos ressurgem e são reinventados segundo novas perspectivas culturais e estéticas. Redesenham as paisagens e as identidades.

Nos estudos urbanísticos e sociológicos estes parques são pensados conforme seus diferentes tempos, funções e usos. Identificam-se também variações de definição, forma e tratamento que mostram a importância do levantamento das possibilidades do tema. Há uma contribuição importante relativa aos estudos de origem e evolução desses espaços no pensamento das cidades, sobretudo na interpretação das mudanças e permanências, usos e significados. Ademais, a observação dos usos e do comportamento dos usuários dos parques urbanos pode revelar parte significativa do modo de vida de uma cidade.

Este artigo faz um registro dos usos e da importância social e ambiental doParc de la Tête d’Or (Lyon, França) enquanto referencial de espacialidade, sociabilidade e conservação do patrimônio histórico e ambiental, em conexão com as mudanças em termos urbanísticos. É também um testemunho da convivência harmoniosa entre conservação ambiental e mudança sociocultural.

Leia mais… http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.113/20 (Artigo completo)