FORMA URBANA E ORGANIZAÇÃO SOCIOESPACIAL: um estudo da Comunidade do Timbó, em João Pessoa – PB

Por Ana Luzia Pita (Arquiteta e urbanista, mestranda pelo Programa de Pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFPB), orientador(a): Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

Trata-se de um estudo sobre a organização socioespacial expressa através da segregação e da autossegregação, averiguando como esta se revela no espaço urbano. Com a finalidade de compreender a conformação da segregação no espaço da favela será realizado um estudo de caso através de uma análise da forma e configuração socioespacial da Comunidade do Timbó, em João Pessoa-PB, no Bairro dos Bancários. Este é considerado um bairro de classe média, bem servido de infraestrutura urbana, no entanto, a população da comunidade padece com a precariedade das moradias, a insalubridade, falta de espaços para sociabilidade e alta densidade construtiva e demográfica do setor onde está locada. Para alcance dos objetivos é imprescindível a análise de algumas variáveis no meio urbano do Timbó: acessos/acessibilidade, localização, infraestrutura, traçado, lotes, quadras e vias de circulação, bem como das barreiras físicas que dificultam a ligação direta da favela com o bairro. A análise será embasada por alguns autores como: Frederico Holanda (2010), Maria Elaine Kohlsdorf (1996), Paola Berenstein Jacques (2003), Kevin Lynch (1999) e José Lamas (2004). Os conceitos sobre forma urbana, abordados por estes autores, serão transpostos para a apreensão e leitura do espaço da comunidade. Aspira-se que este trabalho possa contribuir para melhoria da qualidade de vida da população e das moradias da comunidade.

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ENTRE MUROS: Os espaços coletivos dos condomínios residenciais fechados

Por Christiane Nicolau Rosendo Ferreira (Arquiteta e urbanista, mestranda pelo Programa de Pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFPB), orientador(a): Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

 

As cidades à medida que crescem, tem se fechado entre novos muros, levando ao agravamento das questões relativas as ruas e ocupação do espaço urbano, a privatização de espaços públicos, a relação de vizinhança obrigatória, a alusão de uma maior segurança e status. Com isso, os espaços públicos da cidade contemporânea são marcados pela apropriação seletiva e diferenciada dos espaços que deveriam ser acessíveis a todos. O condomínio fechado altera a relação entre público e privado a partir da privatização de espaços públicos. Na zona sul da cidade de João Pessoa, somente no Bairro Portal do Sol, conta-se hoje com sete condomínios horizontais fechados, cada um com as suas grandes áreas de lazer. Como as cidades podem gerar uma diversidade de usos com uma extensão de muros separatistas para aquele que deve mais poder aquisitivo? O objetivo desta pesquisa é analisar as áreas de uso coletivo dos condomínios horizontais fechados: Cabo Branco Residence Privê, Porta do Sol e Bosque das Orquídeas, quanto à morfologia e organização socioespacial, observando as regras de planejamento, as formas, usos e comportamentos dos usuários. A metodologia desta pesquisa será estruturada utilizando como referência base: Lynch (1997), Cullen (1983), Kohlsdorf (2005), Gehl (2006) e Goffman (2010). Parte-se da hipótese de que apesar das semelhanças formais e funcionais visíveis nestes espaços coletivos, existem diferenças fundamentais nas práticas espaciais dos seus usuários. Conhecê-las para poder compreender as dinâmicas e desempenho destes espaços bem como a lógica social de produção da segregação e parte da cultura contemporânea.

 

Palavras chave: condomínios fechados, espaços coletivos, segregação, sociabilidade

Quando o Design Exclui o Outro: Dispositivos espaciais de segregação e suas manifestações em João Pessoa-PB

Por Patrícia Alonso de Andrade, Arquiteta e urbanista, mestre, professora assistente do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e professora adjunta do Curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ).

O trabalho tenciona expor as questões que envolvem arquitetura, design e segurança, quando estes se unem deliberadamente com o objetivo de inibir os contatos dos indivíduos com “o outro” no ambiente urbano. O design à prova de vândalos e os dispositivos “antimendigo”, assim como a arquitetura fortificada dos condomínios residenciais fechados e shopping centers, dizem mais respeito ao grau de isolamento em relação a grupos e sujeitos indesejáveis, do que à proteção pessoal ou patrimonial dos cidadãos. Nesse processo, barreiras urbanas e arquitetônicas, mobiliário, detalhes e sinais de exclusão vão tolhendo as expressões corporais, os comportamentos e as interações das pessoas entre si e com a cidade, que vai se tornando cada vez mais hostil frente a seus usuários. Os padrões e artefatos espaciais de isolamento não ocorrem inadvertidamente: são uma estratégia projetual deliberada para a segregação socioespacial, que conta com o interesse e incentivo do mercado imobiliário, com a aprovação da parcela da sociedade que os consome e deseja, com a cumplicidade do Poder Público, que não só os permite como, em certos casos, os implementa, e com a participação ativa dos arquitetos, urbanistas e designers, que os projetam. Sob a ótica da ética e das reais funções da arquitetura e do design, é preciso refletir sobre as perspectivas que se delineiam para a cidade a partir desse processo de exclusão planejada. Seus efeitos negativos sobre a paisagem e dinâmica urbanas podem colocar em xeque o espaço público enquanto espaço de vivência em meio à diferença.

Artigo apresentado no Nutau 2010 e publicado na revista eletrônica Vitruvius ( http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/12.134/3973 ).