A insustentável leveza do patrimônio cultural: memória e marketing

Por Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia (Coordenadora do Leccur).

Na contemporaneidade as relações sociais urbanas parecem indicar sua substituição por uma seleção de imagens e por uma arquitetura cenográfica na qual os indivíduos são meros contempladores unidimensionais, tendo por força da propaganda apenas a aparência de ser uma comunidade. Neste sentido, cultura e “revitalização” na “cidade-mercadoria” tem significado, muitas vezes, uma valorização artificial do solo urbano associada a uma ampliação do fluxo de pessoas nas áreas criadas dentro das propostas de geração de espaços públicos parciais ou semi-públicos.

Além disto, nas análises sobre os processos de mudança relativos ao patrimônio cultural, costuma-se ver como “ameaças” o desenvolvimento urbano, as indústrias culturais e o turismo, ao invés de serem considerados contextos em que os bens históricos existem e cujos recursos como televisão, rádio, CDs e vídeos às vezes são tão significativos quanto os bens tradicionais considerando-se o papel desempenhado na socialização e renovação de comportamentos.

Supõe-se, nesta mesma lógica, a possibilidade de uma memória e de patrimônios culturais “autênticos”, uma “identidade autêntica” brasileira que estaria sendo descaracterizada pela “revitalização” associada à cultura de massa, pela lógica do consumo nas atividades de entretenimento e de turismo nos centros históricos. Porém, não se pode pensar o processo de rememorização como sendo estático, “a tradição nunca é mantida integralmente” e “não existe uma identidade autêntica, mas uma pluralidade de identidades construídas por diferentes grupos sociais em diferentes momentos históricos”.

Neste artigo, discuto algumas das contradições e desigualdades que as relações sociais assumem no uso do patrimônio resultando em interações complexas entre o Estado, o setor privado e os diferentes grupos, movimentos sociais e culturais urbanos, as quais estão claramente expressas nos processos de intervenção em centros históricos desenvolvidos no Brasil nas últimas décadas.

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