A “megalopolização” das cidades latino-americanas segundo Bárbara Freitag (Teorias da Cidade)

(FREITAG, Bárbara. Teorias da Cidade. Campinas: Papirus, 2006.)

Partindo do pressuposto de que o estudo dos problemas urbanos é indissociável da relação cidade-campo, a autora escolheu quatro cidades latino-americanas para analisar os processos de “megalopolização”: A Cidade do México, São Paulo, Buenos Aires e Rio de Janeiro.

Chama-se megalopolização um processo de transformação rápida e recente de uma cidade ou metrópole em uma megalópole. O critério principal nessa categorização é o crescimento descontrolado, desregrado da população urbana, que faz transbordar os limites naturais e administrativos da cidade, tornando-a insustentável. A megalopolização é acompanhada da poluição do ar, da água, do desequilíbrio ecológico e da desorganização social. As grandes levas migratórias do campo para as cidades “despreparadas” para recebê-los manifesta-se na forma de déficits de emprego, de moradia, atendimento de saúde, serviços urbanos, etc. As diferenças sociais e culturais dos habitantes das megalópoles se refletem no tecido urbano, onde se mesclam construções de luxo da arquitetura pós-moderna, reunidas em condomínios fechados, e favelas, cortiços, invasões.

Segundo Bárbara Freitag, os processos de megalopolização das cidades latino-americanas durante a segunda metade do século XX, são menos frutos de seu passado histórico colonial e mais resultados da globalização d economia de mercado, em curso desde a segunda metade do século XX.

Para compreender o presente e buscar soluções para o futuro, é preciso recorrer ao passado histórico das sociedades latino-americanas, que têm em comum uma experiência colonial de mais de 400 anos, posta em prática por espanhóis e portugueses. Ao mesmo tempo, não se deve ser negligenciada a especificidade de cada cidade.

O primeiro critério para a escolha das cidades latino-americanas, é o fato de terem mais de 10 milhões de habitantes. Em 2006, a taxa de urbanização na Argentina é de 90%, no Brasil, de 83%, e no México, de 76%. Em todos os casos, está acima da média mundial, que ainda gira em torno de 50%. O segundo critério, é o fato de as megalópoles latino-americanas se caracterizarem por serem cidades “partidas”, em que cerca de 40% ou mais da população urbana vive em áreas irregulares, não registradas pela administração da cidade.

O objetivo das reflexões da autora é apontar para as causas e os efeitos da megalopolização nas quatro metrópoles latino-americanas, para verificar se uma ou outra teria condições materiais, sociais e culturais para “qualificar-se” como cidade global.

A descrição e análise dos fenômenos de urbanização e megalopolização que ocorreram durante os últimos 500 anos surpreendem pela convergência de padrões na maioria das megalópoles latino-americanas que serão apresentadas.

O texto acima trata-se de uma síntese do último capítulo do livro Teorias da Cidade discutido no encontro do LECCUR. O texto foi apresentado por Christiane Nicolau (mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFPB)

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