Cidadania e Patrimônio Cultural: Oficina-Escola, Projeto Folia Cidadã e Acehrvo no Centro Histórico de João Pessoa

Por Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

É consensual a ideia de que a melhor forma de garantir a defesa, a proteção e até mesmo a conservação das paisagens e sítios naturais, bem como das obras monumentais – as produções arquitetônicas isoladas, os sítios históricos e as expressões artísticas de significado cultural – se dá através do respeito e do interesse de cada um dos povos por seu acervo patrimonial. Isto posto, torna-se cada vez mais imprescindível a participação, não apenas dos governos, mas também, e talvez principalmente, dos cidadãos nas ações preservacionistas. No entanto, é apenas na medida em que o cidadão se reconhece parte de seu universo cultural e natural e que reconhece a importância desse acervo, que ele torna-se, de fato, um agente da preservação. Nesse sentido, as ações voltadas para a educação e a própria realização de fóruns participativos dos diversos setores da sociedade nas discussões concernentes às práticas de intervenção, se tornam cada vez mais necessárias.

Na presente publicação, a arquiteta Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia, o analisar as ações do Convênio Brasil/Espanha na cidade de João Pessoa, destaca as atuações dos Projetos Folia Cidadã, Acehrvo e Oficina-Escola, como “formas de ação social organizada no sentido de uma maior participação da população local nos projetos”, e ressalta a importância da participação da sociedade não apenas como resultado daquelas ações mas, principalmente, como forma capaz de garantir a democratização dos processos de “revitalização” e “requalificação” das áreas urbanas de valor histórico. E mais ainda, quando a autora de Cidadania e Patrimônio Cultural destaca as diversas formas de apropriação do espaço “requalificado” no centro histórico de João Pessoa, através dessas entidades, nos leva a refletir que, talvez, seja esta uma das formas mais interessantes de usufruto do patrimônio cultural pela sociedade, isto na medida em que esse espaço se torna palco de suas ações cotidianas, culturais e de lazer, associadas à promoção e valorização de sua memória. Integram-se assim sociedade e patrimônio cultural num exercício constante de cidadania com vistas ao resgate da estrutura edificada do núcleo original da cidade e à melhoria da qualidade de vida da comunidade.

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