Analisando e vivenciando o espaço urbano

Os ambientes urbanos podem ser analisados e vivenciados de diferentes formas e com intensidades variadas. Apresentamos aqui algumas experiências desenvolvidas com alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPB  nas quais procuramos analisar trechos urbanos (praças, ruas, calçadas, mercados públicos, terminais de integração, entre outros) acentuando a relação entre usuários e ambiente, corpo e cidade e identificando os conflitos relativos especificamente aos usos e apropriações de espaços urbanos contemporâneos. Foram utilizadas diversas ferramentas de pesquisa e apresentação dos resultados. Damos destaque aos resultados apresentados em forma de documentários, vídeos produzidos  pelos próprios alunos com imagens e informações coletadas por meio de observações em campo, depoimentos de usuários, técnicos e responsáveis por projetos e intervenções urbanas, pesquisas documentais em arquivos públicos e privados e caminhadas, passeios aleatórios, deambulações pela cidade com o objetivo de desenvolver formas de aproximação dos ambientes urbanos e de metodologias alternativas de análise dos espaços na cidade contemporânea.

Este documentário pretendeu analisar a transformação da Praça Rio Branco, espaço que outrora fora símbolo do poder administrativo da cidade de João Pessoa, e que teve seu uso completamente desviado, transformando-se em um estacionamento, e que através da iniciativa do poder público, por meio de uma revitalização proposta em parceria pela Prefeitura Municipal e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, retomou sua identidade de espaço de convívio social, sendo este espaço imediatamente aceito e principalmente usufruído pela população, reintegrando-se à vida social da cidade. (Produzido por: Juliane Gasparin e Milena de Sá Braga; Orientação: Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia).

O “Ponto de Cem Réis: permanências e mutações” é um documentário que tem como cenário a Praça Vidal de Negreiros (mais conhecida como Ponto de Cem Réis), localizada no Centro de João Pessoa, PB, e mostra como esse espaço se transformou ao longo do tempo devido as intervenções físicas ocorridas, refletindo assim, na forma de apropriação dos seus usuários. O documentário abarca além do histórico das intervenções sofridas pela praça, relatos dos seus mais diversos usuários, desde os mais antigos até os mais recentes, de como eles veem, entendem e vivem a praça e como tais intervenções afetaram e afetam suas vidas. Notou-se que a praça ainda confere valores culturais e sociais, apesar das diferentes opiniões, pois a participação urbana em diversos horários do dia confere ao lugar vitalidade urbana. Apesar da versão atual da Praça Vidal de Negreiros, o eterno Ponto de Cem Réis, não ser tão convidativa à sociabilidade como muitos desejavam, a idéia de um espaço público vivido e reconhecido como coração da cidade, palco dos encontros, das conversas e das manifestações populares, e detentor de boa parte da história da cidade de João Pessoa permanece com o passar do tempo e dentre tantas intervenções sofridas, mantendo e, porque não dizer, fortalecendo a urbanidade do local. (Produzido por Camila Coelho e Marjorie Maria Abreu Gomes; Orientação: Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia).

Este documentário relata a análise da experiência de ocupação e formas de utilização dos espaços do Mercado Central, situado no centro da cidade de João Pessoa-PB. Diante da falta de gerência da Administração Pública e da efetividade dos respectivos programas governamentais ao longo dos anos, a infraestrutura do “Mercado Central” sofreu vicissitudes de várias naturezas (ambiental, artificial, dentre outras).
Daí infere-se o estágio de degradação e ocupação indevida do mercado em tela. Em razão da situação supracitada, a Administração Pública Municipal, em 2006, solicitou um projeto de reforma do mesmo em parceria com a Universidade Federal da Paraíba. Hodiernamente, o projeto continua em execução, já tendo sido realizadas: a construção do novo galpão das frutas; o galpão de industrializados; e o galpão de cereais. No momento atual, o galpão das carnes se encontra em reforma.
A análise do espaço se dá de acordo com as perspectivas e anseios dos usuários, trabalhadores e do próprio arquiteto em relação aos resultados da reforma, de acordo com a situação em que foi encontrado o mercado, as propostas do arquiteto e a visão dos usuários com suas intervenções. (Produzido por: Aline de Souza Carolino e Ítalo Pereira Fernandes;Orientação: Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia)