“O vir-a-ser ambiente do mundo urbano” – Jean-Paul Thibaud

Na reunião do LECCUR do dia 23 de novembro de 2011 discutimos o texto base da palestra do pesquisador Jean-Paul Thibaud, diretor de pesquisa do CNRS, membro do CRESSON, Grenoble-França. Este texto intitulado “O vir-a-ser ambiente do mundo urbano” foi apresentado no II Seminário Internacional URBICENTROS – Morte e vida dos centros urbanos (Maceió, 2011), na sessão temática: Ambiente e Estrutura.

O autor trata, inicialmente, do termo “ambiência” e propõe um deslocamento em relação à noção de meio ambiente como parte de um esforço de renovação epistêmica, de busca de novos conceitos, experiências e formas de refletir sobre as recentes transformações da cidade. O objetivo é, sobretudo, centrar o foco nos aspectos sensíveis do ambiente urbano. O autor deixa claro que não pretende lidar com elementos de ordem técnica e que suas reflexões se situam no cruzamento de questões de natureza social, estética, urbana, ecológica e política.

Falar de ambiência nos espaços urbanos “é compreender como as mutações da cidade de hoje se encarnam e se difundem na vida cotidiana”. Para isto são necessárias cinco operações fundamentais:

Operação 1 – Instaurar o sensível como campo de ação: partindo da ideia que o ordenamento urbano não se limita somente às formas construídas e aos espaços edificados, mas também aos ambientes sensíveis e aos envelopes climáticos. A palavra-chave: médium.

Operação 2 – Compor com tons afetivos: introduzindo o plano afetivo ao compor espaços urbanos, reconhecendo a diferença entre um meio ambiente e uma ambiência. A palavra-chave é ressonância, pois é a partir dela que se amplia a nossa capacidade de afetar e de ser afetado.

Operação 3 – Dar consistência às situações urbanas: em qualquer situação urbana existe um conjunto heterogêneo de componentes e uma ambiência consiste, sobretudo em religar estes vários elementos entre si, mantendo-os unidos a fim de torná-los um conjunto. A palavra-chave é coalescência, ao tratar da consistência das situações urbanas.

Operação 4 – Manter os espaços ao longo do tempo: a intenção é prestar atenção aos aspectos ordinários dos espaços urbanos. Podemos produzir ambientação a partir de eventos específicos, mas também podemos colocar em ambiência, cuidando dos espaços do dia a dia, ao longo do tempo. Assim, a palavra-chave desta operação é manutenção.

Operação 5 – Apostando nas transformações imperceptíveis: convoca o poder de imersão de uma ambiência. A palavra-chave é: impregnação,  que valoriza sobretudo a porosidade que existe entre os habitantes e seu meio de vida, a nossa capacidade de sentir e incorporar as pequenas modulações de um espaço sensível.

Este é também o esforço dos membros do LECCUR, em suas pesquisas de campo e em suas reflexões e produções bibliográficas, textuais, articulando as dimensões que envolvem e problematizam Cidade, Cultura Contemporânea, Ambiências e Urbanidades.