Lançamento do livro Cidade, Cultura e Urbanidade

Lançamento de mais uma produção LECCUR/PPGAU/UFPB, organizado pela Professora Drª Jovanka Baracuhy C. Scocuglia.
Ocorrerá em Natal – RN, no dia 18/09, durante o ENANPARQ 2012.
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Percepções de um cotidiano urbano

por Andrei de Ferrer e Marcela Dimenstein

As cidades contemporâneas estão cada vez mais padronizadas e uniformizadas. Há, contudo individuos que resistem a essa homogeneização através da pratica, uso ou experiência cotidiana nos espaços urbanos e assim, os reinventam, subvertem ou profanam (JACQUES, 2010).
Este video realizado por Andrei de Ferrer e Marcela Dimenstein para o concurso VIDEOURBANA 2012, retrata cenas cotidianas no centro urbano de João Pessoa, Brasil.

Arquitetura & Urbanidade

Lançamento da 2º Edição, revista e ampliada do Livro Arquitetura & Urbanidade organizado por Frederico de Holanda. 

Para o texto da quarta capa, o Prefácio de Joaquim Guedes.

O livro pode ser adquirido entrando em contato diretamente com o Frederico de Holanda, na Livraria Cultura, Amazon, mediante pagamento via PagSeguro ou ainda por depósito via PayPal

Maiores informações, no site: http://www.fredericodeholanda.com.br/

 

A pacificação da cidade. O caso dos espaços públicos do grand ensemble Les Minguettes, em Lyon (França).

Por Marcele Trigueiro de Araújo Morais (Professora doutora, exerce função de professora adjunto na Universidade Federal da Paraíba – UFPB; vice-coordenadora do grupo de pesquisa Cidade, Cultura Contemporânea e Urbanidade – LECCUR). Trabalho completo publicado no I ENANPARQ – Rio de Janeiro, 2010 e no SICYurb – Lisboa, 2011.

Disponível < http://conferencias.cies.iscte.pt/index.php/icyurb/sicyurb/paper/view/375 >

RESUMO – Versão em português

Identificados em diversos países da Europa com o epicentro dos problemas sociais e urbanos, os grandes conjuntos habitacionais modernistas são considerados territórios atingidos pela crise urbana e social. Associados a esta situação de crise, os espaços públicos, taxados de “sensíveis”, são os lugares onde se expressam as novas clivagens da sociedade. A partir desta constatação, esta comunicação, fundamentada em pesquisa doutoral realizada entre 2002 e 2008, trata das transformações urbanas sofridas pelos espaços públicos destes conjuntos e, mais precisamente ainda, das diretrizes de pacificação urbana sobre as quais certas operações urbanísticas parecem se fundamentar. Trata-se aqui de questionar a resposta dada pelos “fabricantes da cidade” (representantes políticos, funcionários das municipalidades, arquitetos e urbanistas autores dos projetos, etc.), em termos de ações urbanísticas, a partir do momento em que esta crise urbana é interpretada como uma “crise da coesão social”. De fato, os fabricantes concebem um estado da atividade social urbana ao qual os dispositivos técnicos devem estar adaptados: no caso da renovação urbana dos grandes conjuntos habitacionais, eles partem do diagnóstico de uma situação “anômica”, derivada do enfraquecimento da coesão social, e imaginam os espaços públicos requalificados como instrumentos capazes de contribuir com a reconstrução desta coesão. Dentro desta problemática, a constituição de um corpus voltado ao mesmo tempo para as questões de cunho urbano e social se impõe. Sendo assim, a observação das intervenções realizadas pelas políticas de renovação urbana passa por um dispositivo metodológico “intrínseco” à pesquisa, o qual consiste em uma investigação documentária, realizada no SPVRU – Serviço Política da Cidade e Renovação Urbana (Service Politique de la Ville et Renouvellement Urbain) da Grande Lyon. A observação das relações sociais em geral e, mais precisamente, das relações entre os “públicos urbanos” (essencialmente os habitantes) e os espaços públicos dos setores estudados acontece, por sua vez, através de dispositivos metodológicos “herdados” de pesquisas externas: trata-se de duas pesquisas quantitativas, desenvolvidas dentro do âmbito do Programa Europeu RESTATE e do Programa Ministerial HVU – Habitat e Vida Urbana (Habitat et Vie Urbaine). A associação destas diferentes técnicas de investigação conduz ao estabelecimento de uma série de resultados. Desta forma, percebe-se que as políticas analisadas são excessivamente centradas na transformação urbana dos espaços públicos, mas pouco voltadas para o estabelecimento das condições elementares à urbanidade, indicando que tais posturas baseiam-se em um equívoco em matéria de premissas urbanísticas e tendem a produzir espaços públicos “hiper-programados”, mas incapazes de assegurar seu papel social.

RÉSUMÉ  – versão em francês

La pacification de la ville. Le cas des espaces publics des Minguettes, à Lyon.

Repérés comme l’épicentre des problèmes sociaux et urbains, les grands ensembles périphériques d’habitat social sont présentés comme des territoires touchés par la crise urbaine. Associés à cette situation de crise, les espaces publics, jugés sensibles, deviennent les lieux où s’expriment les nouveaux clivages de la société. Partant de ce constat, cette communication porte sur les transformations urbaines dont les espaces publics des grands ensembles sont l’objet et, plus particulièrement encore, sur les directives de pacification qui semblent se dégager de certaines opérations urbanistiques. Il s’agit alors de s’intéresser à la réponse que donnent les fabricants (élus, représentants des collectivités territoriales, concepteurs, etc.), en termes d’aménagement urbain, à partir du moment où cette crise urbaine est interprétée comme crise du lien social. Les fabricants conçoivent un état de l’activité sociale auquel les dispositifs techniques se doivent d’être adaptés : dans le cadre du renouvellement urbain des grands ensembles, ils posent le diagnostic d’une situation anomique, dérivée de l’affaiblissement du lien social, et envisagent les espaces publics aménagés en tant qu’instruments pouvant permettre la restauration de ce lien. L’observation des interventions urbaines mises en œuvre dans le cadre du renouvellement urbain passe par la mise en place d’un dispositif méthodologique « intrinsèque » à notre recherche et consiste en une investigation documentaire. L’observation du rapport des publics urbains (des habitants, pour l’essentiel) à l’espace public et des relations sociales élaborées au sein des terrains identifiés est menée au travers de dispositifs méthodologiques « hérités » de recherches extérieures (programme RESTATE et programme Habitat et Vie Urbaine). L’association de ces différentes techniques d’investigation conduit à l’établissement d’un certain nombre de résultats. Ainsi, il s’avère que les politiques analysées sont excessivement centrées sur la transformation urbaine des espaces publics, mais pas assez sur l’établissement des conditions élémentaires à l’urbanité, ce qui indique que ces politiques se fondent sur une équivoque en matière de prémisses urbanistiques et tendent à produire des espaces publics sur-programmés, mais incapables d’assurer de façon optimale leur rôle social.