PATRIMÔNIO CULTURAL: A INDISSOCIABILIDADE DO PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL NA CIDADE DE POMBAL/PB

Por Taise Costa de Farias (Arquiteta e urbanista, mestranda pelo Programa de Pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFPB), orientador(a): Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

RESUMO

O presente trabalho trata do patrimônio cultural a partir de uma concepção mais ampla, não mais centrada no valor de determinados objetos e sim numa relação da sociedade com sua cultura, corroborando com a ideia de indissociabilidade do patrimônio material e imaterial, por meio de um estudo que relaciona a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – com o seu valor material comprovado pela sua história e arquitetura do século XVIII – e a festa do Rosário – com o seu universo simbólico, cultural e popular – como elementos formadores do patrimônio cultural da cidade de Pombal, no alto sertão paraibano. Como pressupostos de pesquisa têm-se a ideia de patrimônio cultural enquanto processo de identificação coletiva no qual a representação e os valores socioculturais são fundamentais no processo de investigação dos vínculos existentes entre a população e o patrimônio material e imaterial, a Igreja de N. S. do Rosário dos Pretos e a festa do Rosário, respectivamente. Para tanto, adotou-se como base teórica e metodológica a teoria das representações sociais, que permite abordar os aspectos simbólicos e do imaginário relacionados ao espaço urbano. Para coleta de dados, foram aplicadas quatro entrevistas distribuídas igualmente entre os grupos: moradores residentes no perímetro tombado pelo IPAHEP, membros da Irmandade e grupos culturais, pessoas ligadas à Igreja de N. S. Do Rosário dos Pretos, e pessoas chaves. Na análise das informações, foram adotadas abordagens qualitativas, a partir da análise do conteúdo, onde se investigou a relação do sujeito com os bens patrimoniais; a ligação entre apropriação, memória e lugar; os bens patrimoniais que estão mais ligados ao imaginário da população; e os valores que estruturam as representações. Como principal resultado, desta pesquisa, verificou-se que as representações sociais dos entrevistados sobre o patrimônio cultural pombalense podem ser estruturadas em três pontos fundamentais: a importância conferida a história da cidade, os valores e significados atribuídos ao patrimônio local e o ideal da importância da sua preservação. Partindo dessas premissas gerais, foram elaborados três tipos de representação em relação ao patrimônio cultural – a fim de verificar a sua indissociabilidade – enunciados em sentenças que resumem os aspectos envolvidos. Uma das representações é a do patrimônio através da representação simbólica da cidade de Pombal. Considerando que o patrimônio é uma construção cultural, essa representação estrutura-se nos elementos fundamentais em que os pombalenses baseiam o caráter da cidade e de sua própria identidade, sejam estes materiais ou não. Assim, temos representado o grande potencial do patrimônio pombalense justificado não apenas pelas suas características físicas, mas, sobretudo pelo significado desses elementos carregados de sentidos, história e beleza, relacionando o imaginário, a simbologia e a representação dos grupos sociais. O bem patrimonial foi enunciado também a partir de uma atribuição de valor, seja ele histórico, artístico ou afetivo, relacionando a noção de valor ao de patrimônio, pois é o grupo social que, em determinado espaço de tempo, atribui valor a algo que passa a ser considerado como um bem patrimonial. O patrimônio como um elemento palpável, com dimensão material, seja um edifício ou um objeto que caracteriza a cidade, esteve representado estruturando-se em dois fatores: na associação do patrimônio a ideia de herança, o que remete a algo concreto; e no fato de que as edificações, bens visíveis, revelam o valor da antiguidade, sendo assim mais facilmente associadas ao conceito de patrimônio. Contudo a representação material do patrimônio não vem só, ela está intrinsicamente ligada a sua referência imaterial, através dos seus símbolos, significados e valores. São os conjuntos de práticas sociais que transformam os espaços repletos de significados, e que os tornam depositários de uma memória coletiva e/ou individual, tornando o patrimônio como algo relevante para os sujeitos. O patrimônio como referência a memória e a identidade do grupo social funcionam como ponto de fixação em meio ao fluxo incessante do mundo contemporâneo. Uma vez que se relacionam a experiência no lugar, que se adquire com a passagem do tempo, essa representação foi citada pelos entrevistados quando feitas associações entre os patrimônios culturais, e os fatos históricos. Diante das representações, obtidas, do patrimônio cultural pombalense, percebemos a indissociabilidade do patrimônio através da análise das entrevistas, que nos mostra o patrimônio enquanto objeto possuidor de representação social para a formação do sentimento de pertença, memória e identidade do sujeito, a partir de uma reflexão sobre a noção de patrimônio não mais centrada no valor de determinados objetos e sim numa relação da sociedade com sua cultura, diluindo as diferenças entre a produção material e a imaterial. Dessa forma, considerando que o patrimônio cultural é indivisível e que este se apresenta fundamental para a constituição das memórias coletivas e das identidades, conclui-se que uma das melhores formas de se preservar um bem cultural alçado à categoria de patrimônio cultural é os considerando indissociáveis, utilizando articuladamente os instrumentos disponíveis para tal – tombamento e/ou registro – através de uma gestão inteligente que privilegie ações integradoras do patrimônio entre natureza, espaços construídos, sociedade e cultura.

A defesa final será dia 16/12, as 14 horas na Universidade Federal da Paraíba.

FORMA URBANA E ORGANIZAÇÃO SOCIOESPACIAL: um estudo da Comunidade do Timbó, em João Pessoa – PB

Por Ana Luzia Pita (Arquiteta e urbanista, mestranda pelo Programa de Pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFPB), orientador(a): Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

Trata-se de um estudo sobre a organização socioespacial expressa através da segregação e da autossegregação, averiguando como esta se revela no espaço urbano. Com a finalidade de compreender a conformação da segregação no espaço da favela será realizado um estudo de caso através de uma análise da forma e configuração socioespacial da Comunidade do Timbó, em João Pessoa-PB, no Bairro dos Bancários. Este é considerado um bairro de classe média, bem servido de infraestrutura urbana, no entanto, a população da comunidade padece com a precariedade das moradias, a insalubridade, falta de espaços para sociabilidade e alta densidade construtiva e demográfica do setor onde está locada. Para alcance dos objetivos é imprescindível a análise de algumas variáveis no meio urbano do Timbó: acessos/acessibilidade, localização, infraestrutura, traçado, lotes, quadras e vias de circulação, bem como das barreiras físicas que dificultam a ligação direta da favela com o bairro. A análise será embasada por alguns autores como: Frederico Holanda (2010), Maria Elaine Kohlsdorf (1996), Paola Berenstein Jacques (2003), Kevin Lynch (1999) e José Lamas (2004). Os conceitos sobre forma urbana, abordados por estes autores, serão transpostos para a apreensão e leitura do espaço da comunidade. Aspira-se que este trabalho possa contribuir para melhoria da qualidade de vida da população e das moradias da comunidade.

Grupo de Pesquisa vinculados ao LECCUR:

Grupo de Pesquisa Cidade, Cultura Contemporânea e Urbanidade

Este grupo de pesquisa é coordenado pela Profa. Dra. Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia e está vinculado ao Laboratório de Estudos sobre Cidades, Culturas Contemporâneas e Urbanidades – LECCUR – UFPB. Desenvolve pesquisas sobre as dinâmicas ligadas às culturas urbanas, aos processos de produção e aos usos da cidade. O grupo pretende subsidiar disciplinas da graduação e da pós-graduação,produzir artigos e livros, participar e oferecer seminários e estabelecer convênios e parcerias interinstitucionais com laboratórios e programas de pós-graduação de outras Universidades do Brasil e do exterior. Ressaltem-se as parcerias existentes: UFBA (DINTER);Programa ARCUS – Rhône-Alpes;Université Lumière Lyon 2/ITUS-EVS(INSA); GRS/Anthropologie et Sociologie(Université Lyon 2). Portanto, este grupo de pesquisa se propõe a realizar pesquisas, promover a atualização dos professores, incentivar os alunos à pesquisa e gerar fontes de informações para futuras investigações. Abarca a produção arquitetônica e urbanística da cidade contemporânea, associando objetos urbanos e públicos diversos, questões de cunho técnico e social. Assim sendo, este grupo estará voltado para questões relativas a:(1)produção da cidade contemporânea e atividades projetuais que determinam o funcionamento dos objetos urbanos (2)agentes, processos e impactos do crescimento e da modernização das cidades(3)processos de patrimonialização, estetização, homogeneização, pacificação e espetacularização das paisagens urbanas(4)identidades, modos de representação e recursos de promoção da cidade em contextos de marketing urbano e competitividade inter-cidades(5)mercados de bens, serviços e equipamentos culturais (6)condições de governação e requalificação cultural das cidades(7)interpretação do patrimônio cultural urbano(8)usufruto da cidade contemporânea e atividades sociais urbanas que decorrem da mobilização dos objetos urbanos(9)práticas sociais urbanas(10)usos dos espaços públicos urbanos(11)aceitabilidade social dos projetos urbanos (12)habitação e mobilidade social. Registrado no Diretório de Grupo de Pesquisas do CNPq.

Culturas das Cidades: arte, política e espaço público na contemporaneidade

Grupo registrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq em 2002, sob coordenação geral da Prof.a Linda Gondim-UFC/Departamento de Ciências Sociais/Centro de Humanidades. A profa. Dra. Jovanka Baracuhy C. Scocuglia inseriu-se no grupo como pesquisadora desde abril de 2003, ficando responsável por este segmento da pesquisa na UFPB, João Pessoa-PB. Vem participando de eventos, seminários e congressos nacionais junto com a equipe que compõe este grupo de pesquisa. A formação do grupo está centrada na proposta de trabalhar numa perspectiva comparativa, analisando experiências de diferentes regiões do Brasil e se inserido nos contextos nacional e internacional, tendo em vista criar condições para produzir mais do que descrições de estudos de casos isolados. Objetivos: compreender as relações entre intervenções planejadas e as práticas dos diversos atores que produzem e se apropriam dos espaços urbanos, incluindo não só os agentes estatais e empresariais, como também organizações não-governamentais, movimentos sociais, consumidores e os moradores.

Territórios e urbanidades: práticas urbanas e políticas culturais no espaço público contemporâneo

Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

Territórios e urbanidades: práticas urbanas e políticas culturais no espaço público contemporâneo (PQ/CNPq, 2011-2014)

Este projeto de pesquisa relaciona espaço e sociedade, corpo e cidade e prospecta a renovação epistêmica que se fundamenta nas práticas urbanas contemporâneas, se propondo a mobilizar os instrumentos de análise do urbano e da vida pública. Trata-se, sobretudo, dede articular os espaços construídos com os comportamentos corporais e formas de sociabilidade que indicam as maneiras como os indivíduos se servem de seus corpos em ritmos específicos, de técnicas corporais repetidas nos espaços de modo cíclico ou linear. Uma abordagem da cidade sensível e democrática que propõe  uma reinterpretação da cidade por meio da heurística da rua e dos ritmos da vida cotidiana. Ressalta-se uma cidade praticada que se insinua no texto/conceito da cidade planejada e visível. Pretende-se, especificamente, estudar os “usos” cotidianos das ruas e praças de duas cidades contemporâneas, Recife e João Pessoa, verificando os comportamentos e interações dos indivíduos e grupos nos lugares públicos, em suas dimensões físicas (arquitetônicas e urbanísticas) e sócio-antropológicas (as interações e sociabilidades), investigando a criação de processos “contra-hegemônicos” (processos alternativos ou resistências aos projetos e ações hegemônicos, à homogeneização, à criação de cenários e à exclusão de grupos e indivíduos). Fundamentado em reflexões teóricas, conceituais e metodológicas e em uma análise interdisciplinar, este projeto de pesquisa se propõe a produzir dados qualitativos acerca da urbanidade  contemporânea. Desenvolvem-se esforços no sentido de estudar as práticas urbanas, as condutas corporais, as sociabilidades e os usos dos espaços de ruas e praças na cidade contemporânea que implicam a constituição de urbanidades. Trata-se de um projeto de pesquisa aprovado pelo CNPq (Edital/Chamada: Produtividade em Pesquisa – PQ – 2010).