Sociabilidades e usos contemporâneos do patrimônio cultural

Por Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia (Coordenadora do LECCUR)

Nas duas últimas décadas do século XX, em várias cidades do mundo, foram desencadeados processos de “revitalização” (2) de áreas urbanas degradadas promovendo reutilizações do patrimônio cultural, bem como dos recursos ambientais e paisagísticos. Nestas experiências recorrem aos símbolos representativos dos primórdios da formação das cidades ou de um saber fazer, de práticas ligadas à tradição e à memória coletiva. Destacam-se antigos trechos portuários, fábricas desativadas e centros históricos, bem como atuações no sentido da terceirização dos usos. Em geral, são processos que procuram atrair novos usos dos espaços na tentativa de viabilizar o sistema econômico utilizando como recurso o dinamismo cultural e turístico destes sítios históricos.

São intervenções urbanísticas que pressupõem um processo no qual ações integradas se desenvolvam mediante um planejamento estratégico entre poder público, iniciativa privada e usuários. A idéia geral é que os resultados positivos realimentem o processo atraindo novos investidores, gerando outros projetos. Expressam, assim, um dilema central da cultura contemporânea entre preservar e consumir e, além disto, seus aspectos excludentes vêm encontrando resistência organizada da sociedade civil, em fóruns e associações não-governamentais como, por exemplo, em São Paulo, do Fórum Centro Vivo (2000) que reúne movimentos populares urbanos, pastorais, universidades e entidades de defesa dos diretos humanos, educação e cultura. São espaços geradores de intensas trocas sócio-culturais, de lugares públicos de contestação e/ou reivindicação de direitos sociais, mas também de segregação sócio-espacial.

Adotados em maior ou menor escala em diversas cidades, ganharam destaque após as experiências norte-americanas e européias bem sucedidas, a exemplo das pioneiras Baltimore, Londres, Barcelona, Lisboa e Cidade do Porto, entre outras. Na América Latina, destacam-se Puerto Madero e o bairro de La Boca, em Buenos Aires. No Brasil, esse processo tem caracterizado diversos projetos como a reurbanização da Praça 15 de Novembro (Rio de Janeiro), oProjeto Cores da Cidade (Curitiba, Rio de Janeiro e Recife) e as experiências no Pelourinho de Salvador, além de iniciativas diversas em cidades como Fortaleza, São Luís, João Pessoa, entre outras.

Leia mais… http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/05.051/560 (Artigo Completo)

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