Imagens da Cidade: patrimonialização, cenários e práticas sociais

Por Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia ( Professora Doutora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, professora dos Programas de Pós-Graduação de Arquitetura e Urbanismo e de Sociologia da Universidade Federal da Paraíba (PPGAU, PPGS/UFPB) e Coordenadora do Leccur).

Para observarmos as cidades contemporâneas e seus centros antigos, percebendo as dinâmicas que as movem, importa não só os contextos urbanos de organização espacial e as relações sociais que induzem processos específicos, mas, também, as formas como as cidades reconstroem as suas imagens e os seus patrimônios, acionando-os como recursos próprios e configurando elementos de afirmação na economia e na comunicação globalizadas. Nessa direção, o vasto leque de visões que um centro antigo pode suscitar a partir das suas múltiplas características correspondem às imagens da cidade. Todas as imagens traduzem modos de ver e estes são decorrentes tanto daquilo que é visto quanto de quem vê. Cada parte da cidade pode difundir uma multiplicidade de imagens, reais ou imaginárias, efêmeras ou duradouras, de consenso ou de conflitos. É a pluralidade de imagens que, ao originar práticas e representações, sempre desigualmente partilhadas pelos grupos sociais, delineia os contornos das identidades de objetos e espaços urbanos. Algumas destas práticas e representações, mais duradouras ou midiáticas, se revelam mais operantes e outras, mais fugazes ou menos abrangentes, não são tão visíveis enquanto referências identitárias.

Estes são alguns pontos problematizados neste livro e discutidos no âmbito dos trabalhos apresentados.

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Urbicentros – Resumos

A CIDADE E O CENTRO: CENÁRIOS DE VIOLÊNCIA E EXCLUSÃO

Camila Coelho Silva ( camilacoelhos@hotmail.com ); Emmanuel Brito Von Szilagyi ( emmanuel.szilagyi@yahoo.com.br ) e Profa. Dra. Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia – Coordenadora do LECCUR ( Jovanka.Scocuglia@pq.cnpq.br )

Este artigo apresenta resultados parciais de pesquisas no âmbito do PIBIC/PIBIT/CNPq que discutem o pressuposto de que a cidade não produz automaticamente a violência, embora propicie um cenário privilegiado para seu desenvolvimento pela forma segregada como se expande o processo de mercantilização da vida social. Alterações na arquitetura, na relação entre o edifício e a rua, bem como o discurso que legitima uma sensação ampliada de medo e violência atribuída à urbanização brasileira são analisadas e discutidas, tendo o Centro da cidade de João Pessoa e matérias de jornais veiculadas nos últimos cinco anos como foco de análise. Verificam-se os tipos de violência e exclusão, questionando a possibilidade de correlações entre arquitetura e violência, em dimensões físicas e socioculturais. Os resultados parciais corroboram nossos pressupostos, indicando serem certos espaços da urbe contemporânea, cenários propícios aos efeitos de uma estrutura social desigual e injusta com alta concentração de renda, tendo o discurso jornalístico como campo privilegiado de legitimação da localização da pobreza e das desigualdades sócio-espaciais. Assim, almejamos contribuir com o debate sobre cidade e cultura, além dos condicionantes e efeitos diretos e indiretos na constituição de novas formas de sociabilidade e urbanidade contemporâneas.

Palavras-chave: Cidade. Violência. Cultura. Segregação.

VAZIOS URBANOS E HABITAÇÃO NA REABILITAÇÃO DE ÁREAS CENTRAIS: PENSANDO O CENTRO HISTÓRICO DE JOÃO PESSOA

Rafaela Mabel Silva Guedes ( rmabel@gmail.com ), Juliana Carvalho Clemente ( jucarvalhojp@gmail.com ) e Profa. Dra. Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia – Coordenadora do LECCUR ( Jovanka.Scocuglia@pq.cnpq.br )

As políticas de revitalização das áreas centrais muitas vezes seguem lógicas mercadológicas voltadas à inserção de uso turístico ou comercial, atuando de forma contrária às tendências socioculturais pré-existentes e aos valores históricos e patrimoniais. Nesta dicotomia, ainda é comum encontrarmos nas áreas centrais imóveis (fundiários ou construídos) abandonados ou subutilizados, o que denominaremos aqui de “vazios urbanos”. O número destes imóveis afronta à crescente demanda por habitação e, principalmente, à política de ocupação das zonas periféricas das cidades. A discussão acerca dos vazios urbanos impulsiona o embate entre as políticas de revitalização com finalidades de promoção turística e de marketing global e as políticas de reabilitação voltadas à provisão da habitação e a geração de dinâmicas de usos mistos. Destacamos ao longo deste artigo reflexões sobre esta problemática no Centro histórico tombado da cidade de João Pessoa.

Palavras-chave: Áreas urbanas centrais. Vazios urbanos. Habitação. Reabilitação.

DESENVOLVIMENTO URBANO E (IN)SUSTENTABILIDADE URBANA: O CASO DOS CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS FECHADOS EM JOÃO PESSOA.

Patrícia Alonso de Andrade ( patalonso@ig.com.br ); Wylnna Carlos Lima Vidal ( wylnna@yahoo.com.br ); Marcela Dimenstein ( mmarcelad@gmail.com ) e Christiane Nicolau Rosendo Ferreira ( chrisnicolau@hotmail.com )

Este trabalho trata de um fenômeno em expansão nas últimas décadas em João Pessoa e em outras cidades brasileiras, com forte impacto no uso e ocupação do solo e na sustentabilidade urbana: os condomínios horizontais fechados. A concentração de condomínios em certas zonas da cidade está diretamente ligada ao espraiamento urbano, um processo em que a cidade cresce permeada por grandes vazios. Suas consequências são a desvalorização de áreas centrais, maior custo do Poder Público para oferecer infraestrutura às áreas mais distantes, dependência crescente do automóvel, aparecimento de vazios urbanos e depreciação dos espaços públicos. Cinco desses condomínios, segundo o mapa de zoneamento e uso do solo de João Pessoa, fazem sobreposição com Zonas Especiais de Preservação ou de Preservação Rigorosa, o que constituiu um ponto de fragilidade para sua preservação ambiental e para sua qualidade urbana. O descompasso entre as lentas atualizações da legislação urbanística e a rápida dinâmica do mercado imobiliário naquela área constitui outro ponto de fragilidade para sua preservação ambiental e para sua qualidade urbana.

Palavras-chave: Condomínio Fechado. Insustentabilidade. Código de Urbanismo.

Urbicentros 2011

O II Seminário Internacional Morte e vida dos centros urbanos aconteceu em Maceió nos dias  27 de setembro a 1 de outubro de 2011. Este Seminário é um desdobramento do programa DINTER-CAPES [Doutorado Inter Institucional Novas Fronteiras] realizado entre a Universidade Federal da Bahia [instituição promotora] e a Universidade Federal da Paraíba [instituição receptora] com a colaboração de uma rede de Programas de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo e Desenvolvimento Urbano da região Nordeste do Brasil, formada pelos Programas das Universidades Federais da Bahia, Paraiba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas.

O evento contou com a participação de alguns integrantes do LECCUR que tiveram seus artigos aceitos para publicação nos anais do evento, além de apresentações orais e apresentação de banner.

ARTIGOS ACEITOS PARA PUBLICAÇÃO:

1. A Cidade e o Centro: Cenários de violência e exclusão. (Jovanka Baracuhy Cavalcanti Scocuglia, Camila Coelho Silva e Emmanuel Brito Von Szilagyi)

2. Percepções do Centro Histórico de João Pessoa: Um roteiro de leitura a partir de sua paisagem. (Maria Berthilde de Lima e Rafaela Mabel Silva Guedes)

3. Ponto de Cem Réis: O eterno protagonista no Centro Histórico de João Pessoa. (Wylnna C. Vidal, Anne Camila C. Silva, Jacqueline A. Gouveia, Flávia Marroquim)

4. Desenvolvimento Urbano e (In)sustentabilidade Urbana: O caso dos Condomínios Horizontais Fechados em João Pessoa. (Patrícia Alonso, Wylnna C. Vidal, Marcela Dimenstein e Christiane Nicolau R. Ferreira)

Os resumos das publicações serão divulgados em outro post, na categoria “Publicações”.